Pois assim como
Amarildo é aquele que desapareceu das vistas, e não faz muito tempo, Cláudia é
aquela que subitamente salta à vista, e ambos soam, queira-se ou não, como o
verso e o reverso do mesmo. (l. 22-24)
Neste trecho, para aproximar dois casos recentemente
noticiados na imprensa, o autor emprega um recurso de linguagem denominado:
(A) antítese (B) negação (C) metonímia (D) personificação
Aquele carro é o carro
alegórico de um Brasil, de um certo Brasil que temos que lutar para que não se
transforme no carro alegórico do Brasil. (l. 27-28)
A sequência do emprego dos artigos em “de um Brasil” e “do
Brasil” representa uma relação de sentido entre as duas expressões, intimamente
ligada a uma preocupação social por parte do autor do texto. Essa relação de
sentido pode ser definida como:
(A) ironia (B) conclusão (C) causalidade (D) generalização
A crônica é um gênero textual que frequentemente usa uma
linguagem mais informal e próxima da oralidade, pouco preocupada com a rigidez
da chamada norma culta. Um exemplo claro dessa linguagem informal, presente no
texto, está em:
(A) O medo é um evento poderoso que toma o nosso corpo, (l.
1)
(B) Me lembrei dessa história por conta de outra
completamente diferente, (l. 8)
(C) De repente, vejo um menino encostado num muro. (l.
10-11)
(D) ele também não podia imaginar que eu pedisse desculpas.
(l. 28)
CANÇÃO DO VER
Fomos rever o poste.
O mesmo poste de quando a gente brincava de pique
e de esconder.
Agora ele estava tão verdinho!
O corpo recoberto de limo e borboletas.
Eu quis filmar o abandono do poste.
O seu estar parado.
O seu não ter voz.
O seu não ter sequer mãos para se pronunciar com as mãos.
Penso que a natureza o adotara em árvore.
Porque eu bem cheguei de ouvir arrulos1 de passarinhos
que um dia teriam cantado entre as suas folhas.
Tentei transcrever para flauta a ternura dos arrulos.
Mas o mato era mudo.
Agora o poste se inclina para o chão − como alguém
que procurasse o chão para repouso.
Tivemos saudades de nós.
Manoel de Barros Poesia completa. São Paulo: Leya, 2010. 5 10 15
O mesmo poste de quando a gente brincava de pique
e de esconder.
Agora ele estava tão verdinho!
O corpo recoberto de limo e borboletas.
Eu quis filmar o abandono do poste.
O seu estar parado.
O seu não ter voz.
O seu não ter sequer mãos para se pronunciar com as mãos.
Penso que a natureza o adotara em árvore.
Porque eu bem cheguei de ouvir arrulos1 de passarinhos
que um dia teriam cantado entre as suas folhas.
Tentei transcrever para flauta a ternura dos arrulos.
Mas o mato era mudo.
Agora o poste se inclina para o chão − como alguém
que procurasse o chão para repouso.
Tivemos saudades de nós.
Manoel de Barros Poesia completa. São Paulo: Leya, 2010. 5 10 15
1 arrulos − canto ou gemido de rolas e pombas
QUESTÃO 13 No poema, o poste é associado à própria vida do
eu poético. Nessa associação, a imagem do poste se constrói pelo seguinte
recurso da linguagem:
(A) anáfora (B) metáfora (C) sinonímia (D) hipérbole
[Anáfora é a repetição da mesma palavra ou grupo de palavras no princípio de frases ou versos consecutivos. É uma figura de linguagem muito usada nos quadrinhos populares, música e literatura em geral, especialmente na poesia.]
[Anáfora é a repetição da mesma palavra ou grupo de palavras no princípio de frases ou versos consecutivos. É uma figura de linguagem muito usada nos quadrinhos populares, música e literatura em geral, especialmente na poesia.]
[Sinonímia: qualidade das palavras sinônimas; relação de
sentido entre dois vocábulos que têm significação muito próxima.]
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